wood couture
28/06/2013

Em casa com... Jorge Zalszupin

Nesta semana, a Espasso, nossa representante em Nova York, homenageou o arquiteto Jorge Zalszupin, integrante do portfólio ETEL, em seu blog. Nesse ano, a marca reeditou uma nova coleção de peças icônicas do designer, entre elas, a poltrona Dinamarquesa e a mesa Romana. 

Confira o texto traduzido aqui e o original no blog da Espasso - blog.espasso.com

Jorge Zalszupin, 90, nasceu em Varsóvia, na Polônia, e emigrou para São Paulo em 1949, onde se estabeleceu como uma das principais vozes da arquitetura e o design brasileiros modernos. Em 1955, Zalszupin abriu a influente marcenaria L'Atelier, onde criou alguns dos móveis brasileiros mais conhecidos e procurados de meados do século XX, bem como vários projetos de arquitetura ? comerciais e residenciais ? dispersos pela cidade de São Paulo.


Em uma visita recente à casa de Jorge Zalszupin em São Paulo, projetada e construída pelo mesmo na década de 1950, foi possível identificar, facilmente, sua trajetória de vida por meio da decoração e a arquitetura do local: elementos modernos e traços limpos ? vistos no teto curvado feito de ripas de madeira bem como na lareira flutuante ? convivem com aspectos mais rústicos do Velho Mundo ? como um muro de pedra, vigas de madeira expostas e azulejos espanhóis. Às vezes, evocando uma moradia de conto de fadas da Europa de Leste e outras, um ambiente ultramoderno ? que completa com toques tropicais psicodélicos. Os detalhes em cada esquina revelam a sensibilidade e estética únicas de Zalszupin, compondo um ambiente acolhedor, aconchegante e eclético.


Enquanto pinturas variadas, penduradas com elegância, e bugigangas e objets d'art espalhados intrincadamente refletem o estilo alegre de Zalsuzpin, peças de mobiliário originais, criadas por ele, como as poltronas Paulistana e Dinamarquesa, acentuam sua sala de estar. A entrada no contexto original em que essas peças existiram permite revelar elementos inesperados; por exemplo, o brocado escarlata e preto usado para estofar a Paulistana, ou a almofada estampada de leopardo e os bordados coloridos que decoram a Dinamarquesa.


Os designs icônicos de Zalszupin estão sendo reeditados atualmente pelo atelier de Etel Carmona, em São Paulo, com o melhor artesanato e madeiras certificadas pelo FSC, e estão disponíveis na Europa e nos EUA exclusivamente na ESPASSO.

twitter facebook e-mail Pin it
27/06/2013

Um dueto consistente e autêntico

Tudo começou com um dueto. Na verdade, com o Banco Dueto, a primeira encomenda de um cliente à Claudia Moreira Salles e a primeira peça da designer produzida pela marca ETEL. A parceria, consistente, autêntica e permeada por uma grande afinidade já dura 20 anos. Em uma conversa de bastidores, Claudia conta ao Wood Couture alguns momentos especiais de sua trajetória.

Ainda nos bancos da faculdade 

As minucias presentes em cada um dos móveis da designer são resultado de um amplo trabalho durante a concepção da peça, método adquirido entre as réguas e compassos na Escola Superior de Desenho Industrial, em 1978, no Rio de Janeiro. 

A paixão pela madeira chegou logo cedo quando, em seu primeiro estágio, no Museu de Arte Moderna, trabalhava na criação de móveis para uma biblioteca escolar. "Foi aí que conheci melhor a madeira e a mão de obra artesanal. Fiquei apaixonada, me aprofundei, e não parei mais de desenhar", conta a designer.

20 anos de ETEL

No começo dos anos 1980, Claudia partiu para São Paulo, onde conheceu o designer Fulvio Nanni e desenhou por muitos anos para Nanni Moveleira, um dos primeiros espaços dedicados a promover designers independentes na década de 80. Foi Fulvio quem a apresentou para Etel Carmona. 

"Tive a oportunidade de fazer parte da história da ETEL desde o início. Na época em que conheci a Etel, estava em busca de móveis que reunissem beleza, acabamento perfeito e um cuidado especial na fabricação. E, nesse encontro, foi isso que vi. Percebi sonhos em comum entre nós. Construímos uma relação cheia de afinidades", relembra Claudia. 

Para a designer os momentos que mais marcam sua parceria com a ETEL são os dias em que ela passa planejando uma nova coleção para a marca. "Com a criação de uma nova peça, surgem ideias inusitadas, madeiras diferentes, tratamentos novos. Esse processo me motiva a conhecer e a descobrir outros objetos e formas. Fico envolvida com aquela equipe e juntos construímos uma coleção completa, diferente de tudo o que já vi e produzi", conta. 

  
Processo criativo

"Para cada peça que crio, busco fazer uma reflexão aprofundada. Um processo investigativo que envolve perguntas primordiais. Analiso as matérias primas que posso usar, sinto a textura de cada madeira e escolho a mais adequada, a que ganhará maior expressividade, só então desenho a peça", revela. 

Reconhecimento internacional

Em 2013, a designer expôs suas peças na Espasso, galeria que representa a ETEL em Nova York. "Para compor esta mostra escolhi móveis criados recentemente, que contavam parte da minha história, da minha carreira. Sobretudo, tentei levar peças que contrastavam madeira a outros materiais, como cimento, pedra, tecidos... Vejo que esta mistura valoriza as características dos materiais", disse. 

A mostra que reúne peças como a poltrona Siri e a Cosme Velho, além do banco Jangagada foi pauta do New York Times e da Metropolitan Magazine. 


 
Ainda neste ano, a editora BEI lançou o livro "Claudia Moreira Salles", a partir de uma entrevista conduzida pela curadora e designer Karen Stein, de Nova York. "Este foi muito especial. Desde a entrevista com a Karen até a finalização dos textos. Contei o processo de criação das minhas peças. Elas fazem parte da minha carreira e essa é a minha história", finaliza.

A vivacidade desse dueto, cheio de momentos especiais, só nos faz desejar muitos anos mais de parceria e amizade.

twitter facebook e-mail Pin it
19/06/2013

Entre as fronteiras da arte e do design

Os traços marcantes da arte claramente inspiram os movimentos da arquitetura e do design. Mas a relação entre formas de expressão pode ser ainda mais harmônica de profunda. Prova disso são os artistas múltiplos, que atuam nas mais diferentes áreas - arquitetura, design, artes plásticas, esculturas, entre outras - e assim tornam ainda mais tênue a linha divisória entre arte e design.

Em meados do século XV, durante o Renascimento, Leonardo da Vinci já surpreendia a todos com seu talento como escultor, arquiteto, cientista, designer e, sobretudo, como um exemplar pintor. 

Sua engenhosidade foi capaz de conceber projetos de helicópteros, tanques de guerra, robôs, máquinas a vapor e até submarinos - ideias que só seriam postas em prática séculos depois. Enquanto isso, em suas telas, suas habilidosas mãos desenhavam sublimes figuras, ricas em detalhes, como a Monalisa, a Anunciação e a Última Ceia. 

Cinco séculos depois, durante a década de 1930, o arquiteto Jacob Rutchi teve uma contribuição indispensável para a semeadura da arte abstrata e do design brasileiro. Em sua multiplicidade de talentos, buscava no formalismo da arte, esculturas inovadoras, criativas e impactantes. 


Sua convivência com Lasar Segall, Flávio Carvalho, Victor Brecheret, o impulsionou a participar dos Salões de Maio, com a escultura Mulher sentada quase adormecida e a produção de diversos desenhos abstratos. O arquiteto de ascendência suíça ainda destacou-se como designer do coletivo Branco&Preto, loja de móveis modernos que funcionou na capital paulista entre os anos 1950 e 60. Nessa época, criou a poltrona R3 e a mesa de ripas, hoje reeditadas pela ETEL. 

Neste mesmo cenário em que as novidades transbordam, surge Abraham Palatnik,considerado por muitos, mais que um artista. Em suas obras de arte revolucionárias, utilizava profundos conhecimentos em mecânica e física e  projetava cores e formas que se movimentavam acionadas por motores elétricos. 

Ao tentar expor estes trabalhos na I Bienal Internacional de São Paulo, quase foi impedido. Suas peças eram tão inovadoras que não se enquadravam em nenhuma das categorias da premiação, terminou por ganhar uma menção honrosa depois de muita discussão do júri. Palatnik ainda se destacou como designer de móveis neste mesmo período. Os conceitos revolucionários ganharam mesas e prateleiras com detelhaes em resina e aparência e textura inusitada.
  
Ainda, na década de 50, destaca-se o trabalho de Geraldo de Barros. Conhecido por suas séries fotográficas pioneiras ? Fotoformas e Sombras, o artista concretista se envereda pelos campos do design, fundando com seus colegas o grupo Ruptura e, logo depois, a Unilabor. Nesses projetos, Barros aplicava seus conceitos artísticos no desenvolvimento de peças de mobiliário.

Em traços arredondados e precisos, as cadeiras de Geraldo atendiam a estética artística e agradavam quem buscava móveis modernos e funcionais. Com uma experiência ainda mais radical, Geraldo passou a usar suas pinturas em campanhas para seus móveis, mostrando que o design e a arte podem se curvar e se fundir, diante de uma só obra. 


twitter facebook e-mail Pin it
11/06/2013

Marchetaria: sensibilidade na madeira

O desenho é traçado com cuidado, e a madeira, escolhida com apreço. Estiletes afiados são usados em cortes precisos. Em seguida, as pequenas partes são encaixadas perfeitamente e formam um mosaico complexo, um desenho exclusivo, totalmente único. Nesse perfeccionismo reside a beleza da marchetaria.


"Não existe um segredo!", confidencia - com certa modéstia - mestre Moacir, o talentoso marceneiro da ETEL. Segundo ele, para que um móvel ganhe os recortes artesanais da marchetaria, são necessárias somente dedicação e paciência. Muita paciência, já que, dependendo de sua complexidade, o processo de produção de uma peça pode se estender por semanas e adentrar até mesmo os meses. "Esse trabalho exige tempo e deve ser feito sem pressa. Cada detalhe é importante para que o acabamento fique perfeito", disse em entrevista ao Wood Couture. 


A designer Etel Carmona é uma das maiores entusiastas dessa técnica, que possui mais de 5 mil anos. Suas mãos desenharam, além das mesas Trevo e Arco, a célebre Moacir. Toda trabalhada com imbuia, ela homenageia o mestre que a construiu. "Essa peça, quando vista de cima, se parece com um túnel. A madeira mais clara representa a borda, enquanto a mais escura forma o túnel. O acabamento no centro parece uma luz, que sempre surge ao final do caminho", explica Moacir.   


A sofisticação dessa técnica ainda aparece em outras peças do portfólio ETEL, como a Mesa de Gamão do designer Dado Castello Branco. Feita artesanalmente, com cuidados manuais preciosos, a marchetaria exige mais que técnica. Para seu sucesso, além de mãos ágeis, é necessária uma sensibilidade aguçada na ponta dos dedos, capaz de identificar as melhores matérias-primas e construir peças totalmente fascinantes. 


twitter facebook e-mail Pin it

SOBRE O BLOG

Sempre às sextas-feiras um novo post te espera. Entre cortes, entalhos, raspagens e prensa, traremos pra cá o maravilhoso universo da alta costura do mobiliário. Aqui você encontra conversas de bastidores com nossos artistas, histórias das peças e tendências. Estamos aqui para alinhavar os pontos do universo da madeira e do design e fazer novos arremates.


JUNHO 2016 (5)
MAIO 2016 (3)
ABRIL 2016 (1)
NOVEMBRO 2015 (1)
SETEMBRO 2015 (3)
AGOSTO 2015 (1)
JULHO 2015 (1)
JUNHO 2015 (4)
MAIO 2015 (2)
NOVEMBRO 2014 (8)
OUTUBRO 2014 (5)
SETEMBRO 2014 (4)
AGOSTO 2014 (4)
JUNHO 2014 (3)
MAIO 2014 (7)
ABRIL 2014 (2)
MARÇO 2014 (4)
FEVEREIRO 2014 (5)
JANEIRO 2014 (1)
DEZEMBRO 2013 (5)
NOVEMBRO 2013 (5)
OUTUBRO 2013 (4)
SETEMBRO 2013 (5)
AGOSTO 2013 (4)
JULHO 2013 (4)
JUNHO 2013 (4)
MAIO 2013 (6)
ABRIL 2013 (3)
MARÇO 2013 (5)
FEVEREIRO 2013 (3)
JANEIRO 2013 (3)
DEZEMBRO 2012 (2)

 

RSS Feed